Estranho mesmo. Como alguém da era de Avatar, dos filmes 3D, pode querer fazer um filme mudo em preto e branco. Depois de tudo o que foi feito: Guerra nas Estrelas, King Kong, Titanic, O Senhor dos Anéis. Depois de tudo um filme...pois é : mudo em preto e branco.
Segundo Hazanavicius, que precisou fazer algum sucesso antes de ser levado a sério em seu projeto, o filme mudo é um jeito totalmente diferente de contar a história, que exige do espectador uma participação totalmente diferente para a atual geração. Afinal, o cinema de hoje nos exige o ingresso, o combo pipoca + refrigerante, óculos especiais e passividade além da conta. No filme mudo - e em p&b - é preciso imaginar.
Hazanavicius aproveitou bem a chance que a indústria do entretenimento lhe deu. Contou bem contada a história do ator de cinema mudo, vivido pelo ator francês Jean Dujardin, que se recusa a atuar nos então novos filmes falados e o amor que desperta em uma bela jovem - bela mesmo, que lindeza a atriz franco-argentina Bérénice Bejo, esposa do diretor . Ao contrário do que possa parecer a quem ainda não assistiu, o filme não é chato. Pelo contrário, ele prende a atenção, mesmo sem voz alguma. É possível contar uma boa história sem som , claro e isso Carlitos e outros grande do cinema mudo sabiam. Mas aquela era uma época sem recursos, a era onde o som ainda era um sonho. Agora , uma espectadora bem diferente da minha avó , hoje com 90 anos que assistia os filmes mudos no único cinema da cidade quando era menina, eu tenho olhos e ouvidos muito experimentados e, confesso que gostei. E a mim, pouco importa quem ganhará o Oscar hoje- não levo mesmo esse pessoal da Academia a sério- o filme vale a pena.
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