Crônicas dos Outros começa hoje com um texto do Diego Azevedo Sodré do Blog Diego's Trips. Visite o blog do Diego e, se quiser participar, envie sua crônica que toda quinta o Fio publica.
A morena dos olhos verdes e mechas douradas
Hoje,
percebe-se muito bem o crescimento do setor imobiliário no país, apesar
da crise que assola o mundo globalizado. Quem consegue perceber isso
bem são aqueles que faturaram uma grana preta vendendo seus terrenos,
ou moram ao lado de construções –que é meu caso.
Pra vocês terem ideia, na minha rua foram e estão sendo construídos cerca de 7 novos edifícios. A tendência é esse número aumentar. E muito.
Antes desses edifícios, todo dia eu via a morena dos olhos verdes e mechas douradas passar na minha rua. Ela nunca sorriu pra mim, porém eu me transformava num enorme sorriso toda vez que a via.
A morena dos olhos verdes e mechas douradas, na verdade, planava pela calçada desnivelada e esburacada. Não havia um carro que não prestasse atenção em seus cabelos aos ventos, suas mãos tão pequeninas, suas curvas tão belas, suas covinhas tão vermelhas e sua estatura de mocinha; tudo isso ao sabor da contemplação e inveja alheia.
Os meninos da minha rua suplicavam e choravam por seu amor, e ela sempre dizia a mesma coisa, Não! Nenhum homem merece meu amor!
Acho que ela era especial por isso, pois ninguém conseguia faze-la de “peguete”. Ela era demais. Um anjo que veio me dar uma razão pra viver. Única. Eterna.
Com o tempo, o primeiro edifício ficou pronto e a menina dos olhos verdes arranjou um namorado. Era forte, ia pra academia todo dia, se gabava pelo que tinha, roupas de marca, a moto Kawasaki Ninja, a cobertura; saía sempre com os amigos pras raves e baladas, não ligava pra estudo, pois bastava ser como o pai: político. Era o par perfeito pra ela; afinal, os opostos se atraem.
Mais tarde, outro edifício ficou completo. Ela descobriu que o namorado a tinha traído com “uma outra vagabunda aí qualquer”. Pensou em terminar com ele. Se interessara por um carinha da Tijuca.
Com o terceiro, descobriu que estava grávida. Três meses. Deve ter sido numa balada aí da vida. Ela não tinha certeza de quem poderia ser o pai. O namorado não quis saber dela e do feto, terminou o namoro alegando que não ia dar uma de corno assumido. Ele podia ser burro, mas era esperto. Sua mãe defendeu que ela devia continuar com o bebê. O pai é interrompido durante o trabalho pela mãe e dá a sua opinião: “hmmm, faça isso, querida”. Está ocupado demais com os relatórios da empresa. Sempre.
Um novo edifício surgiu no horizonte, tampando o por-do-sol. A morena perdeu a mãe num assalto. E o pai, que vivia traindo a esposa nas viagens empresariais, entrou em depressão.
Antes de completar o quinto edifício, a menina olha pro horizonte pela varanda do apartamento. As estrelas, que antes coloriam o céu, passaram a dividir o lugar com as centenas de luzes dos outros apartamentos. Decepcionada com a vida, ela resolve bater as asas e fugir pra bem longe.
Dessa maneira, com o prédios, os carros, ônibus, motos, o sol, necessário para sarar as feridas, tanto da carne quanto da alma, foi tampado de vez. A minha rua passou a parecer um filme em preto e branco.
E a morena era o meu sol. Era a fuga das minhas frustrações. Apesar dos engarrafamentos, da poeira, da fumaça, das buzinas e das obras, tudo ficaria bucólico se ela estivesse aqui. Ela me deixou com uma ferida enorme no coração. Só ela poderia cicatriza-la...
Apesar disso, o show tem que continuar. Todas as noites, mesmo com vários prédios, eu ainda consigo ver um pedaço do céu. E lá eu fico até o sono me chamar, numa árdua, porém digna, missão: achar a minha morena dos olhos verdes e mechas douradas. Não posso vacilar a nenhum instante, pois, num pisque, ela pode passar e eu perdê-la de novo. Um dia eu a acho, tenho certeza. E ela irá sorrir pra mim.
Pra vocês terem ideia, na minha rua foram e estão sendo construídos cerca de 7 novos edifícios. A tendência é esse número aumentar. E muito.
Antes desses edifícios, todo dia eu via a morena dos olhos verdes e mechas douradas passar na minha rua. Ela nunca sorriu pra mim, porém eu me transformava num enorme sorriso toda vez que a via.
A morena dos olhos verdes e mechas douradas, na verdade, planava pela calçada desnivelada e esburacada. Não havia um carro que não prestasse atenção em seus cabelos aos ventos, suas mãos tão pequeninas, suas curvas tão belas, suas covinhas tão vermelhas e sua estatura de mocinha; tudo isso ao sabor da contemplação e inveja alheia.
Os meninos da minha rua suplicavam e choravam por seu amor, e ela sempre dizia a mesma coisa, Não! Nenhum homem merece meu amor!
Acho que ela era especial por isso, pois ninguém conseguia faze-la de “peguete”. Ela era demais. Um anjo que veio me dar uma razão pra viver. Única. Eterna.
Com o tempo, o primeiro edifício ficou pronto e a menina dos olhos verdes arranjou um namorado. Era forte, ia pra academia todo dia, se gabava pelo que tinha, roupas de marca, a moto Kawasaki Ninja, a cobertura; saía sempre com os amigos pras raves e baladas, não ligava pra estudo, pois bastava ser como o pai: político. Era o par perfeito pra ela; afinal, os opostos se atraem.
Mais tarde, outro edifício ficou completo. Ela descobriu que o namorado a tinha traído com “uma outra vagabunda aí qualquer”. Pensou em terminar com ele. Se interessara por um carinha da Tijuca.
Com o terceiro, descobriu que estava grávida. Três meses. Deve ter sido numa balada aí da vida. Ela não tinha certeza de quem poderia ser o pai. O namorado não quis saber dela e do feto, terminou o namoro alegando que não ia dar uma de corno assumido. Ele podia ser burro, mas era esperto. Sua mãe defendeu que ela devia continuar com o bebê. O pai é interrompido durante o trabalho pela mãe e dá a sua opinião: “hmmm, faça isso, querida”. Está ocupado demais com os relatórios da empresa. Sempre.
Um novo edifício surgiu no horizonte, tampando o por-do-sol. A morena perdeu a mãe num assalto. E o pai, que vivia traindo a esposa nas viagens empresariais, entrou em depressão.
Antes de completar o quinto edifício, a menina olha pro horizonte pela varanda do apartamento. As estrelas, que antes coloriam o céu, passaram a dividir o lugar com as centenas de luzes dos outros apartamentos. Decepcionada com a vida, ela resolve bater as asas e fugir pra bem longe.
Dessa maneira, com o prédios, os carros, ônibus, motos, o sol, necessário para sarar as feridas, tanto da carne quanto da alma, foi tampado de vez. A minha rua passou a parecer um filme em preto e branco.
E a morena era o meu sol. Era a fuga das minhas frustrações. Apesar dos engarrafamentos, da poeira, da fumaça, das buzinas e das obras, tudo ficaria bucólico se ela estivesse aqui. Ela me deixou com uma ferida enorme no coração. Só ela poderia cicatriza-la...
Apesar disso, o show tem que continuar. Todas as noites, mesmo com vários prédios, eu ainda consigo ver um pedaço do céu. E lá eu fico até o sono me chamar, numa árdua, porém digna, missão: achar a minha morena dos olhos verdes e mechas douradas. Não posso vacilar a nenhum instante, pois, num pisque, ela pode passar e eu perdê-la de novo. Um dia eu a acho, tenho certeza. E ela irá sorrir pra mim.

















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4 fios puxados
Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura e enauqnto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam.
Se gostar da minha proposta, siga-me.
Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !
Passando pra te desejar uma excelente tarde.
beijooo.
Oi Vanessa, já postei sobre Orgulho e Preconceito. Não achei que ficou um post excelente, mas me empenhei bastante nele e espero que os leitores gostem.
Beijos e obrigada por essa oportunidade.
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Um forte abraço,
Dário Dutra
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