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31.10.09

Educação financeira


Educação financeira? Alguns blogueiros aceitaram o debate proposto por Cybele Meyer. E aí vai minha modesta opinião. Há quem pense que educar financeiramente é ensinar aos filhos que não se deve gastar mais do que se ganha. Errado. Esta é somente a primeira lição. A básica. Nível 1. Maternalzinho. A questão é bem mais ampla. Infelizmente.

Uma verdade a ser levada em conta é : somos humanos. Outra verdade: vivemos num mundo capitalista. Concluir que a mente humana pode ser facilmente encaganada por mecanismos do Capital é natural.

Somos movidos por hormônios. E humores. Vivemos em constante competição por absoluta necessidade. Precisamos sobreviver e neste mundo do Capital já não basta sair da caverna e abater um javali. Precisamos de coisas. Mais coisas do que podemos carregar. Tornamos nossas vidas absurdamente complexas. Muito mais que a vida dos homens que caçavam javalis e muito mais do que a vida dos nossos avós, que nunca viram um javali cara a cara e mesmo assim eram de manutenção bem mais simplificada.

Pois imagine só, depois de inventarmos tanto o que consumir, manter, vivenciar, inventamos de ter filhos e precisamos criá-los garantindo-lhes uma mente sadia. É preciso explicar-lhes que todas as coisas que alegadamente necessitamos possuem um preço não exclusivamente monetário. O custo de todas as coisas tão imprescidíveis pode ser traduzido em saúde, liberdade, felicidade, paz.

Não há como fugir do caminho para o qual este debate aponta. Precisamos criar consumidores conscientes e equilibrados e educação financeira é consumir com a maior independência possível. Como alcançar isto? Evitando compensações materiais para faltas imateriais. Assim, se você um dia concluir que pode estar trabalhando muito e vendo seu filho menos do que deveria, tente imaginar que isto é provisório, que há um bom motivo para tanto trabalho - possivelmente seu filho - e compensar com qualidade do tempo que resta. Nada de presente pra dizer que ama, estar presente é dizer que ama. E quando a vida nos impede de estar presente todo o tempo, estar totalmente presente o tempo que se dispõe faz toda a diferença. É o que importa.

Quando seu pequeno estiver triste - e tristezas acontecem a todos - procure alegrá-lo com sua essência ao invés de um embrulho bonito. Fortalecer o eu do seu filho de modo que ele obtenha certeza absoluta de que é um ser humano completo sem bens materiais é primordial. Trabalhando conceitos como estes e lembrando, é claro, que não se deve gastar mais do que se ganha e que poupança é importante para um futuro que só a Deus pertence educação financeira será naturalmente parte da formação deste ser tão especial.

9 fios puxados

Wagner Lopes disse...

É engraçado como nós tornamos nossa vida complexa e constantemente criamos soluções pra problemas que nós mesmo inventamos. =)

APPedrosa disse...

Eu acho educação financeira tão importante, que devia ser matéria de escola. Muito mais útil para a vida do que um monte de fórmula, nome estranho e número que a gente aprende, decora para a prova e não usa nunca mais. bjs

Nanda Botelho disse...

Também penso que nossa forma de usar o dinheiro é proporcional as nossas emoções e "fomes". Aprendemos que compensa nosso vazio o uso desvairado do dinheiro e luxo material que ele proporciona. Isso nos dá a sensação de importância e segurança coisas que tanto almejamos.

Mas cria um outro buraco o de si mesmo e essa é a pior sensação que alguém pode ter. Falta de si mesmo!

Ótimo texto!

Bjão!

Marise von disse...

Vanessa,

Parabéns pelo texto.
É o que deveriamos fazer, mas muitas vezes compensamos ... a nossa falta de tempo, correndo atrás do financeiro.
Seu texto é uma aula.
Abraços,
Marise.

Elaine Barnes disse...

Concordo. A culpa que os pais sentem, não impõe limites e acabam suprindo com bens materiais o que deveria ser qualidade de afeto. A quantidade de presentes é absurda, quando ensinar o valor das coisas e o valor de afeto seria fundamental.Fortalecer o "eu" dos filhos já é o caminho de prosperidade espirital e por consequencia material tb. Adorei! bjs

Ana disse...

"Evitando compensações materiais para faltas imateriais."
Está aí a chave para evitar muitos problemas sociais.
A incapacidade de aceitar um "não" seja de um adolescente ou de um adulto, vem da troca em ter tudo que ser quer, no lugar de ter o que realmente a criança queria e precisava.
Parabéns pelo texto!
Beijos

Aline Silva Dexheimer disse...

Olá Vanessa.
Obrigada pela visita.
A vida é muito mais do que apenas o que o dinheiro compra. Precisamos dele sim, mas o importante é mostrar que há valores mais ricos.
Boa semana.
Beijos,Aline

cybelemeyer.blogspot.com disse...

Vanessa, que texto maravilhoso!

Adorei "evitar compesações materiais para faltas imateriais"
Amei "procure alegrá-lo com sua essência do que com um embrulho bonito"
Profundamente verdadeiro.
Vou tuitar já!
Obrigada por enriquecer a blogagem.
beijinhos com carinho

Vanessa disse...

Muito obrigada a todos pelos comentários carinhosos. Adorei participar desta coletiva.

Abraço

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